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A História do Conjunto

 No ano de 1992, em Maceió na capital das Alagoas, a Caixa Econômica Federal construiu um conjunto habitacional denominado Graciliano Ramos, localizado na cidade universitária, tendo como moradores pessoas vindas dos mais variados bairros da capital Maceió, como também pessoas oriundas do interior do Estado e de outras capitais.

O conjunto Residencial Graciliano Ramos, quando surgiu há 13 anos trouxe consigo a valorização do escritor alagoano nascido em Quebrangulo e que também foi prefeito de Palmeira dos Índios ambas interior de Alagoas, considerado por grande parte da crítica o melhor romancista moderno.

Universal no pensamento, Graciliano registrou em suas obras: Caetés, Vidas Secas, Angústia, Infância, Memórias do Cárcere, São Bernardo e A Terra dos Meninos Pelados, a grandiosidade do homem em sua humilde origem, fazendo uma análise que leva a tensão presente nas relações homem x meio natural, homem x meio social, tensão essa geradora de um relacionamento violento, capaz de moldar personalidades e de transfigurar o que os homens têm de bom, arraigado ás suas tradições e costumes e valorizando a sua terra, fazendo dessas obras uma contínua reflexão da condição humana.

Quando a Caixa Econômica Federal escolheu esse nome, mobilizou um grande movimento em toda capital para se conhecer e descobrir esse escritor alagoano de Quebrangulo e que foi o prefeito mais honesto da história de Alagoas. Atuou também como Secretário de Educação do Estado e Diretor da Impressa Oficial e foi comerciante de tecidos. Esses componentes biográficos orgulham aos moradores dessa comunidade, pela sua importância enquanto homem, pensador e escritor.
Com a construção do conjunto residencial Graciliano Ramos, a empresa de ônibus Massayó vem disseminando o nome dessa efeméride alagoana, tendo ônibus que circulam em todos os bairros da grande Maceió, popularizando o nome do escritor em rotas que levam ao bairro, como por exemplo:

Graciliano Ramos – Centro
Graciliano Ramos – Ponta Verde
Graciliano Ramos – Farol
Graciliano Ramos – Trapiche

O nome passou a ser uma referencia visual mesmo para quem não conhece Graciliano Ramos. No entanto, já virou até apelido e quando se pergunta onde você mora? A resposta geralmente usada por seus é: “moro no graça”. Inconscientemente, os moradores já previam que teriam em suas casas, a convivência com o mestre “graça” e isso seria também uma oportunidade para o desenvolvimento social, cultural e econômico.

O conjunto habitacional está dividido em 30 quadras e 50 ruas que não têm nomes, mas são identificadas por números (ex: rua 22), não humanizando o que se pode dizer o nome da “minha rua”, coisa que agrada e satisfaz ao povo nordestino.

No conjunto residencial Graciliano Ramos, todas as casas têm uma estrutura básica de construção e metrificação, com área total 160m2 sendo 48m2 de área construída, com 2 quartos, 1 sala, 1 banheiro, 1 cozinha e 1 área. Em janeiro de 2003, o governo do estado inaugurou a escola estadual Geraldo Melo, com perpesctiva de atender a 2400 alunos do ensino fundamental e médio nos três turnos, localizada entre o terminal de ônibus e o galpão onde se desenvolvem as ações do Projeto Graciliano é uma Graça.

Os moradores do conjunto contam também com a escola municipal Hévia Valéria, localizada no bairro vizinho, Village Campestre, ao qual atende ao Ensino fundamental.

Em fevereiro de 2002, a Prefeitura Municipal de Maceió atendeu ao clamor do povo e construiu a primeira, e até então única praça do conjunto, e para manter o mérito alusivo ao patrono, a praça com 30m2 de área denomina-se Praça Escritor Graciliano Ramos, que teve esse nome a partir de um plebiscito comunitário realizado pela associação dos moradores para escolher o nome da praça que tem infra-estrutura de lazer e que funciona como local preferido dos jovens e espaço para apresentar as expressões artísticas da comunidade, onde jovens param para conversar e comer pipoca; lugar em que as crianças brincam em um parque com gangorras, balanços, e os aposentados gostam de jogar dominó; tem uma fonte luminosa no centro da praça, um coreto que homenageia ao morador (falecido) Sr. Messias, que implantou o clube bico do corvo, uma escolinha aberta, em praça pública, com o ensino de xadrez para crianças e adolescentes.

A associação de moradores com a mobilização comunitária conseguiu junto a Prefeitura Municipal de Maceió, construir uma entrada com jardins e semáforo no acesso ao mesmo, facilitando a visibilidade ao bairro de quem trafega na única Via Expressa da capital que liga o aeroporto aos hotéis do litoral e que esses ônibus turísticos, passam e param pelo semáforo em frente ao portal de acesso ao conjunto.
Ao entrar no conjunto Graciliano Ramos, a situação hoje, poderia não agradar ao gestor Público Graciliano Ramos, pois as ruas são de terra batida, há apenas um corredor de ônibus calçado com pedras paralelepípedos, na chamada avenida principal, dando inclusive um certo clima interiorano, meio Quebrangulo, um pouco Palmeira dos Índios que remete ao seu patrono.

Aqui tem quase tudo que uma cidade cenográfica tem: A Igreja Matriz São Vicente de Paulo, que tem o coral “Pequeninos Sonhadores da Paz” com crianças da comunidade, 1 posto policial militar, 4 mini-supermercados, 1 posto de gasolina, 3 pizzaria, 9 padarias, 6 farmácias, 13 vídeo games, 3 bares com música ao vivo, 18 barracas de quitutes, 20 salões de beleza, 2 bombonieres, 6 igrejas evangélicas de várias denominações, 1 centro espírita Kardecista, 1 terreiro de Candomblé, 14 escolas particulares de educação infantil, 3 escolas particulares de ensino fundamental e médio, 1 escola particular de informática com 6 computadores, 20 Lojinhas de produtos artesanais feitas pelos próprios moradores, 2 Serralharias, 3 marcenarias, 5 depósitos de construção, 6 Açougues de carnes e aves, 1 feirinha de frutas e verduras aos fins de semana com 59 ambulantes moradores do bairro e que atendem aos próprios moradores, devido à distância de 18Km do Mercado central (CEASA), 1 rádio comunitária, 4 papelarias.

Partindo do princípio que o conjunto habitacional recebe o nome do escritor alagoano Graciliano Ramos, nasceu em 12 de abril de 2002, o “Projeto Graciliano é uma Graça”, com o objetivo de ampliar a compreensão político social da obra de Graciliano Ramos e sua intervenção na melhora da compreensão da qualidade de vida da comunidade.